Mapeamento eternamente em construção – Bate-papo com o Coletivo Alfenim

Bate-Papos   |       |    3 de novembro de 2009    |    0 comentários

Coletivo Alfenim – João Pessoa – PB
Representante: Márcio Marciano

1. Financiamento: como o grupo financia seus trabalhos?

Olha, agora a gente tá administrando a verba que a gente ganhou do edital em nível estadual, que é o Fundo de Incentivo à Cultura de João Pessoa, que proporcionou a confecção do primeiro espetáculo e com a venda desse primeiro espetáculo, participação em Festivais, com esses cachês a gente tá se mantendo. Agora, a gente conseguiu vencer um edital da Caixa e com o dinheiro desse edital, a gente rachou esse dinheiro no meio, metade a gente mantém pra manutenção do grupo e metade a gente investiu na produção pra circular com o espetáculo. Mas a forma de financiamento é: a gente inscreve projetos em vários editais e vai sempre na perspectiva daquilo que interessa pra nossa pesquisa, pro nosso projeto de formação, então se a gente não atende às exigências do edital, então a gente não entra, só entra naquele editais que não ferem a nossa perspectiva de pesquisa.

2. Diálogo com o entorno: como as questões da sua região estão presentes na obra do grupo e, por outro lado, como o grupo está presente nas questões de sua região?

O caso do Alfenim é bastante particular porque como eu sou de São Paulo e é o primeiro espetáculo que a gente realiza, sentindo a necessidade de dialogar com a região, eu procurei estudar a história do lugar e esse primeiro espetáculo relata um episódio da história da Paraíba que é obscuro inclusive pros próprios paraibanos. Então, a partir daí, a gente estabeleceu um diálogo bastante produtivo com a região e a gente tem circulado muito com a região Nordeste por conta do interesse que o espetáculo tá gerando. E a nossa idéia é ampliar agora esse debate pra que os temas sejam nacionais, não sejam tão episódicos da região. Agora a gente já tá com outro espetáculo, quer dizer, tá surgindo um outro espetáculo que trata da questão da repressão durante o período da ditadura militar, então já é uma coisa mais abrangente. E ainda sobre essa questão, eu acho que como existe aí um choque de olhares entre meu olhar do Sudeste com o olhar do Nordeste, tem gerado também um outro interesse, porque dessa fricção é que tá saindo um outro tipo de perspectiva pro trabalho e isso também tem chamado a atenção do espectador, porque alguns lugares por onde a gente passou, já conheciam o trabalho que eu desenvolvi aqui em São Paulo na Cia. do Latão e aí eles se surpreendem por verem os mesmo procedimentos mas de uma forma completamente diferente porque ele é realizado por artistas que são paraibanos que é uma outra forma de olhar as mesmas questões. Isso tá sendo bastante interessante pro diálogo.

3. Fator agregador: qual o fator agregador/ definidor/ de união do grupo?

Eu acho que a perspectiva de formação de um olhar comum… Até porque as perspectivas são muito díspares. A história do teatro paraibano ela é uma e como as pessoas lá da Paraíba se inserem dentro da história, é uma coisa que… a minha chegada tá servindo como um processo de auto-reconhecimento deles e isso pra mim tá sendo interessante porque eu também tô me revendo a partir do olhar deles. Eu acho que esse é o fator agregador, porque a gente está criando uma perspectiva comum a partir da nossa diferença, porque são duas experiências muito díspares. Então eu acho que o primeiro espetáculo aponta uma possibilidade de um olhar comum que deve se desenvolver agora nesse segundo espetáculo.

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