CENA CONTEMPORÂNEA BRASÍLIA 2010

Blog   |       |    30 de agosto de 2010    |    0 comentários

Desde o dia 28 de agosto a Bacante é cobaia de uma pesquisa intitulada: “como o seu corpo responde à umidade do ar de 15% .” Como essa pesquisa incluia minha estadia em Brasília pensei, porque não aproveitar para cobrir o Cena Contemporânea 2010?
Contando com espetáculos internacionais, nacionais e locais, a 11ª edição do Festival Internacional de Brasília começou no dia 24 de agosto e vai até 5 de setembro de 2010. Além da programação teatral, o festival conta também com oficinas, conferências, shows de música e lógico, um bastidor animado, palco pra conversas, discussões, debates e trocas.

Programação – Faça amor, não faça guerra.
“Reflexões sobre o exílio, a tortura, a solidão, a violência e a guerra, mas também sobre o amor, a solidariedade e a possibilidade de um mundo melhor.” É assim que o caderno de programação apresenta os espetáculos. Passando o olho por alto nos espetáculos percebe-se que as escolhas da curadoria é uma grande pergunta: e agora raça humana do século XXI?

De fora do Brasil, o festival recebe espetáculos da Espanha (Paisaje con Argonautas, Decir lluvia y que llueva, El jardín del mundo, Las tierras de Alvargonzález), Itália (Desavergonhada), Israel (Odysseus Chaoticus), Colômbia (La gallina ciega), Suíça (Lonesome Cowboy), Cuba (No vayas a llorar) e o espetáculo chileno Neva que já é arroz de festa dos Festivais Brasileiros.

Da cena nacional temos Kabul (RJ), A balada do palhaço (GO), Abracadabra (SP), A dona da história (PE), Dulce (RJ/Portugal), O beijo (SP), Fedegunda (RJ), além das figurinhas repetidas nos principais festivais do país: In on It (RJ), Till – A Saga de um herói torto (MG) e Memória da Cana (SP).

Brasília é representada no festival por Ilhar, Terapia de Ris(c)o – Por uma outra via, A carta do anjo louco, Entrepartidas, A comédia dos Erros, O filhote do filhote de elefante, Cabaré das Inocentes, Canção pra dançar sem parar, Tecendo fios d’éter, Coisas de mulher, A Cela.

Conferência  O Ator no Século XX – A Técnica como necessidade estética
Cheguei em Brasília e já caí direto na conferência  O Ator no Século XX – A Técnica como necessidade estética, com Borja Ruiz e mediação de Carlos Gil.
Carlos Gil apresentou Ruiz como o pós-graduado em Farmácia e doutorado em genética Farmacologia, que escreveu um livro que não serve pra muita coisa quando poderia estar fazendo algo pra salvar o mundo. Sua pesquisa em teatro foi responsável pelo Prêmio Internacional Artez Blai de Investigação sobre as Artes Cênicas.

Se eu pudesse sintetizar a conferência de Borja com uma frase (o que é reducionista, patético e parece coisa de publicitário e locutor de chamadas de sessão da tarde) diria que ele defende que: “Toda estética teatral nasce de valores éticos.”

Durante uma hora, ele focou no trabalho de quatro teatrólogos: Stanislavski, Meyerhold, Grotowski e Barba, justificando suas escolhas estéticas pelos valores éticos em que cada um acreditava (ou acredita).

Utilizando Grotowski como exemplo, Ruiz justifica a  estreita relação entre público e platéia no espaço cênico (estética) no trabalho do polonês como forma de conduzir o momento teatral a uma percepção semelhante aos rituais antigos (ética).

De lambuja, os presentes puderam conferir alguns vídeos raros, como uma parte de O Príncipe Constante de Grotowski (por favor, se alguém que estava presente na conferência fez cópia desse DVD dá pra fazer uma pirataria solidária e contribuir com os colegas?)

Com meu kit básico de sobrevivência em Brasília – uma garrafinha de água, um Sorine,  a credencial de imprensa, e uma equipe de produção cute cute (que deveria dar um curso de como organizar um festival) – fico até amanhã fazendo cena de crítico contemporâneo (o que é um pouco difícil, já que cachecol e sobretudo não combinam muito com o cerrado)

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