Fórum de Teatro de Rua

Blog   |       |    31 de julho de 2010    |    3 comentários

Tarde de debates sobre modos e meios de produção de um teatro que opta pela rua

Promovido pelo Movimento de Teatro de Rua de São Paulo, o Fórum de Teatro de Rua aconteceu ontem na Unesp, hoje na Galeria Olido e terá ainda um último debate amanhã, no Arena. Fundamental para a troca de experiências entre os artistas que se dedicam ao teatro DE rua por opção e não por falta dela, o Fórum é momento de efetivar uma união que já acontece virtualmente pelo país e que vem se aprofundando.

Acompanhei hoje o debate da tarde, mas em seu início ouvi um panorama – pelas palavras de um dos mais importantes apoiadores e militantes do movimento, o educador Alexandre Mate – do que foi discutido pela manhã, quando o tema foi “Procedimentos de trabalho e trocas de experiências”, .

O primeiro ponto relevante – e que talvez fosse tema para dias de debate – foi o da definição de procedimentos efetivos de trabalho, que precisam partir das boas e velhas três perguntinhas básicas:

– O que eu faço?
– Como eu faço?
– Pra quem eu faço?

Ou, na versão da Brava Companhia:

– Pra quê?
– Pra quem?
– Por quê?

As respostas pra essas perguntas, que de início podem parecer obviedades, se transformam em um desafio para a maioria dos grupos – e por que não dizer, pra maioria dos profissionais de qualquer área: encontrar os objetivos, as motivações e o endereço. No teatro, ou nesse teatro, o desafio é ainda maior porque exige a busca por respostas comuns, coletivas e que, de algum modo, justifiquem uma prática que é precária, exige muita dedicação e em geral traz pouco retorno – pelo menos em termos financeiros. Tudo isso porque trata-se de um fazer artístico que insiste no caminho “contra-hegemônico” (termo este tão repetido nas falas destes coletivos teatrais).

Mate fala ainda de outros temas que foram abordados de manhã, tais como a horizontalidade da organização do trabalho, a necessidade de tocar a contemporaneidade pois o teatro de rua está em contato pleno e obrigatório com seu tempo e espaço, a importância de estudar a história não-oficial do Brasil constantemente, o cuidado para não estereotipar os personagens que fazem parte do cotidiano das ruas, o recurso da metáfora, os treinamentos específicos. Outra questão é a de que não se trata de negar nenhum tipo de influência por não ser fundamentalmente da rua e que é preciso lembrar alguns teóricos e rever experiências anteriores, porque afinal ” a gente não precisa inventar a roda, ela seguramente já foi inventada”.

Não posso deixar de compartilhar, por fim, um momento enfático de sua fala, em que ele afirma categoricamente que “teatro que se faz na rua é fundamentalmente épico, não dá pra fazer drama na rua, embora alguns grupos tentem”. Imediatamente me lembrei de uma peça que assisti no FIT de São José do Rio Preto, que a mim parecia a própria idéia de pós-dramático na rua. Será que dá pra fazer pós-dramático na rua?

À parte isso, a característica inegável da rua é o uso do espaço público e sobre essa questão, Mate lembra que quem vai pra rua tem que considerar todas as suas características e que o espaço público só vai acontecer “enquanto experiência coletiva” e ela só se dará se a experiência considerar os aspectos daquele espaço específico e das relações que se estabelecem ali.

Nesse ponto, da relação de respeito pela rua e suas singularidades, usarei de uma característica do meu querido Astier Basílio e partirei para uma digressão.


Início da Digressão

Em maio de 2008, durante a apresentação da peça Maria Lira, dirigida por João das Neves e parte da programação da Mostra Latino Americana de Teatro de Grupos, um morador de rua começou a interagir com a peça. Animado, trazia um nariz de palhaço e cantava junto com os atores. Num dado momento, foi convidado a deitar-se e cobrir-se. Em seguida, foi ameaçado de várias maneiras por algumas pessoas preocupadas com o bom andamento da apresentação. Aos poucos algumas pessoas da platéia começaram a reagir à violência praticada contra esse senhor. Uma dessas pessoas foi o Fábio Resende, da Brava Companhia, que em poucas e sábias palavras disse para não mexerem com o moço porque “ele mora aqui, aqui é a casa dela, nós é que estamos na casa dele”.

Hoje, depois do debate da tarde do Fórum, fomos convidados a assistir a um ensaio aberto do novo espetáculo da Brava Companhia, Este Lado Para Cima, que estréia sexta-feira que vem, dia 6. Eis que no meio do espetáculo, um senhor aparece e começa a interagir com a peça. Está visivelmente bêbado, mas é acolhido com tranqüilidade pelos atores, que conversam com ele, o abraçam e seguem as cenas. De repente, um rapaz que, pelo que sei, não tem nenhuma ligação com o grupo nem com a organização do Fórum, convida o senhor para tomar uma cerveja – como mote para tirá-lo dali. Ao que ele responde: “Quer tomar, vai lá tomar que eu pago. Eu não quero cerveja, não, eu preciso ficar aqui ouvindo o que eles tão me falando”. Ele se senta um pouco, mas está inquieto. Quando tenta entrar em cena novamente, o mesmo rapaz o abraça e sai com ele levando-o para qualquer lugar longe o suficiente, afinal ele poderia atrapalhar o bom andamento do espetáculo, poderia “invadir a bolha”. Tal violência velada contra o público do teatro de rua parece ter uma boa intenção – a continuidade da peça -, mas desconsidera o que esse teatro tem de mais específico e transformador (ou pode ter). Esse episódio bobo, que quase ninguém percebeu, serve pra nos alertar que mesmo tendo um grupo tão “seleto e consciente” como público, estamos sempre sujeitos a contradições e sobretudo a repetir no teatro (e em seu espaço e funcionamento como um todo, não somente na obra) a lógica de relações de violência e exclusão que nos é bombardeada cotidianamente.

Fim da Digressão


Voltando ao debate, passamos para o tema da tarde “Modos de produção e construção coletiva da obra teatral”, bastante semelhante ao da manhã, como ficou claro pelo depoimento de Luciano Carvalho, do grupo Dolores Boca Aberta Mecatrônica de Artes, cuja fala estava programada para a parte da manhã, mas aconteceu à tarde.

Nesse ponto, divido o relato de acordo com os grupos que contaram sobre seu modo de produção.


Dolores Boca Aberta Mecatrônica de Artes

Segundo Luciano, o procedimento de criação começa com a definição de um tema que já está limitado por um recorte claro: a opção por dialogar com a classe trabalhadora. A partir daí acontecem debates “acalorados” que desembocarão na construção de um esqueleto com direto a mapa gigante na parede para orientar a linha de pensamento. Definem-se, então, subtemas e coletivos de criação para se dedicarem a atividades específicas: roteiro, dramaturgia, figurino etc. A inscrição nos núcleos é espontânea de acordo com habilidades específicas ou vontades específicas de aprendizado de certos fazeres. “Esse jeito de fazer gera muita bagunça, mas é uma proposição política, um enfrentamento contra-hegemônico”.

O Dolores define seu modo de trabalho como Teatro Multirão. Nessa produção não há divisão intelectual do trabalho, nem terceirização, de modo que tudo é dividido, inclusive “os trabalhos que ninguém quer fazer”. Esse procedimento é fundamental para chegar à “materialidade do trabalho desalienado”.


Brava Companhia

A Brava Companhia começa definindo que seu trabalho parte do ponto de vista materialista dialético e em seguida passa a falar do espaço que ocupa, o Sacolão das Artes, no Parque Santo Antônio, um espaço público ocupado por artistas e que, inclusive, está aberto a receber outros trabalhadores da arte que precisem de espaço e queiram participar da ocupação de um local público e, portanto, gratuito. “Tem grupo que prefere pagar aluguel”, lembra, inconformado, Ademir de Almeida. E eu aproveito pra acrescentar que, muitas vezes (na maioria delas) o tal aluguel é pago com dinheiro público – mais lenha pra fogueira da incoerência. “Estar no Sacolão talvez seja a coisa mais importante que o grupo faz hoje”, ressalta Ademir. Os artistas da Brava consideram o espaço não como uma sede ou um teatro, mas como uma trincheira de resistência e enfrentamento – do capitalismo, do sistema hegemônico.

Com relação aos modos de produção, eles contam que desde que começaram a fazer teatro atuavam de maneira colaborativa e que só depois da prática é que perceberam e decidiram estudar a história que os antecedia. “A gente aprendeu teatro assim: todo mundo cria, todo mundo opina e no final todo mundo tem que gostar. A gente só não chamava de coletivo, colaborativo…”, explica Fábio, ao que alguém da platéia acrescenta: “pós-dramático”. “Não, não!”, ele nega, meio assustado, “esse a gente não fala, não, esse a gente combate”.

Fábio destaca o que pra ele são dois pontos fundamentais da Brava Companhia, a preocupação com a construção de metáforas capazes de aproximar a discussão do público e a diversão, o humor. Ele conta que eles chamam o tipo de criação que realizam simplesmente de horizontal e ressalva que o grupo não trabalha com divisão do trabalho, mas com divisão de funções, no entanto, as decisões relativas a cada função não são individualizadas.

Finalmente, com relação à temática, ele afirma com bom humor que “o tema é a luta de classes. Enquanto ela não acabar. Ou enquanto a gente existir”.


Buraco do Oráculo

Adailton Alves começa sua fala abordando a fragmentação da própria cidade de São Paulo e informa que só a Zona Leste, onde seu grupo atua, tem cerca de 4 milhões de habitantes. O grupo nasceu no Brás e, mais tarde, mudou-se para São Miguel, bairro em que boa parte da população tem origem no nordeste do Brasil. Foi justamente a comunidade e a cultura nordestinas que motivaram o grupo a atuar ali.

Um detalhe importante da formação dos integrantes é que todos cursaram graduação em outras áreas do conhecimento, porque não viam possibilidade de discutir teatro de rua na Academia.

Adailton expõe a tríade de ação do Buraco do Oráculo, como sendo: Rua, Cômico e Popular. O grupo, que sempre busca o contato mais próximo com seu público, produziu, inclusive, um espetáculo com base em histórias ouvidas do público depois de apresentações de outras peças.

Eles contam que o objetivo do grupo é criar “pontos de respiro” no cotidiano e que o trabalho é continuado. “Não fazemos projeto para editais”, garantem, afirmando que o grupo procura incentivos quando é possível, mas sempre com base em projetos que já faziam parte de sua vontade e planejamento.


Cia dos Inventivos

Formada em 2004 na Escola Livre de Teatro de Santo André (ELT), a Cia dos Inventivos utiliza hoje o espaço do Tendal da Lapa para suas atividades, mas não se considera vinculada a uma comunidade ou uma zona específica da cidade. “Somos de São Paulo”, afirmam.

Eles contam que estão em busca de conhecer melhor a comunidade da Zona Oeste, mas que ainda têm dúvidas sobre a necessidade de se vincular a uma comunidade específica. Com relação a modos e meios de produção, contam que no início foram pra rua acreditando que poderiam “viver do chapéu”, ou seja, do dinheiro arracadado do público da rua ao final das apresentações. “Ninguém vai viver de chapéu, né?”, brincam, assumindo uma nova visão. Da platéia, alguém brinca: “Só o Oigalê, né?”.

Falando em “viver de quê”, a companhia começou a se estruturar com apoio do VAI (edital da prefeitura municipal para novas iniciativas culturais) e depois conquistou ProAC (do estado de ñao Paulo) e Fomento (lei municipal de São Paulo voltada a coletivos teatrais profissionais e contínuos). E mais diretamente com relação à criação em si, afirmam que “tudo no espetáculo tem o dedo de todo mundo”.

Trupe Olho da Rua

O último grupo a contribuir para o debate foi a Trupe Olho da Rua, que trabalha em Santos desde 2002. A trupe, que surgiu do que chamam de “desejo de mambembear”, ressalta a importância de o movimento trazer representantes de fora da capital do estado para os debates.

Eles apontam que a produção para teatro de rua de maneira independente mostrou-se para eles como alternativa ao teatro tradicional em que os processos eram feitos para o gozo dos grandes diretores que recrutavam jovens atores para cumprirem seus desejos (ui). “E nem usavam a gente direito”, brinca Caio Martinez. A partir daí, ao buscarem a realização de poder fazer teatro livremente, encontraram a possibilidade de pensar coisas que jamais poderiam imaginar fazer no palco.

Inicialmente, a Trupe não tinha um modo de produção pensado e estabelecido. A estrutura inicial (instrumentos, figurino etc) foi conquistada graças ao chapéu, que foi a única fonte de renda nos primeiros quatro anos de atividade. Ao longo do tempo, o modo de produção foi se transformando e, segundo eles, segue em transformação até hoje. “É uma história com mais erros do que acertos”.

Inicialmente, a proposta de criação do grupo – que eles chegam a chamar de utópica – era de que todos se responsabilizassem por tudo. Com o tempo, tiveram inúmeros problemas e perceberam que o comprometimento era diferente entre os integrantes. Muitos integrantes deixaram o coletivo e eles ressaltam que perder um colega de grupo não é como a perda comercial de um funcionário, pois abala realmente todo o funcionamento e a identidade do coletivo.

E por falar em identidade, o contato com outros grupos que tinham opções estéticas e produtivas semelhantes e, portanto, dificuldades semelhantes, foi o que ajudou o grupo a construir sua identidade e, sobretudo, ampliar os referenciais.

Hoje, todo o processo de criação – que, aliás, resulta em geral em um roteiro de ações e não em uma dramaturgia – acontece na rua, em praças da cidade de Santos. Sobre as escolhas temáticas, eles contam que só hoje, ao olhar para os trabalhos anteriores, percebem que todos, de alguma forma, falavam da luta de classes.

Finalmente, apontam duas dificuldades muito comuns aos que optam pelo trabalho em coletivos teatrais: a definição de uma rotina de estudos – sobretudo levando em conta que os integrantes precisam ter outros trabalhos para pagar as contas – e o condicionamento da criação artística aos prazos – que, em geral, estão ligados ao dinheiro.

Teatro Popular União e Olho Vivo

A participação de representantes do Tuov, como sempre, foi muito festejada por todos os artistas. O histórico de militância e busca por um teatro mais próximo do povo são freqüentemente ressaltados. Eles contam que quando o Tuov começou, não existia periferia e o ponto de união para as lutas da classe trabalhadora e pela democracia era o Largo de São Francisco, no centro da cidade. Tratava-se de um “teatro de militância” em resistência a uma opressão política e a uma violência militar. E eles ressaltam: “são as mesmas pessoas no poder até hoje”. A mobilização e união aconteciam porque “naquele momento, existia uma razão de luta concreta”, comentam, com relação à ditadura. E me pergunto se não é perigoso continuarmos aceitando que as razões de luta atuais não são concretas ou não tão concretas quanto as de outros tempos. Essa idéia parece naturalizada e, no entanto, ela de certa forma imobiliza as pessoas, já que fica como condição unanimemente aceita que hoje ou não há razões de luta ou elas são muito abstratas – o que não se comprova no cotidiano, sobretudo no das periferias em que alguns dos grupos atuam.

Com relação ao trabalho de criação atual do Tuov, a dramaturgia é pensada coletivamente – todos trazem temas dentro das identidades do grupo (lutas em prol da transformação; política e história em sentido amplo). Depois, ao poucos, definem o tema mais relevante para aquele momento específico, “o melhor tema para hoje”. A partir daí, cada um faz seu estudo e traz referências. É quando a dramaturgia começará a ser criada, de fato. O protagonista será sempre o oprimido (negro ou índio) e o antagonista, o opressor. Formam-se, então, comissões de acordo com as habilidades e afinidades de cada um.

A duração média dos processos é de um ano, quando costumam abrir o “borrão” (rascunho) em um ensaio aberto para amigos convidados. Finalmente, chega a intervenção de Cesar Vieira e “aquilo que era mero épico narrativo se transforma em um material poético”.

Os atores se reúnem na sede no Bom Retiro (espaço público utilizado apenas para ensaio que atualmente tem chances de ser tombado depois de cerca de 25 anos sendo utilizado pelo grupo) apenas aos sábados e domingos, já que a maior parte deles trabalha em outras profissões para se sustentar. O grupo não tem fins lucrativos, portanto toda verba que conquistam é reinvestida na manutenção do próprio coletivo.

Perguntas

Foram poucas perguntas, devido principalmente ao tempo reduzido destinado ao debate. No entanto, uma delas vale mais a pena deixar registrada. “Para fazer teatro de rua tem que pertencer a uma comunidade?”. Não vou listar as tentativas de resposta a essa pergunta, porque penso que ela deve ecoar sem resposta fácil. E um bom caminho por onde ela pode ecoar é o proposto pela Brava Companhia que, pensando justamente essa realidade de trabalho em seu cotidiano, sugere que o termo “comunidade” precisa ser repensado e debatido como “unidade comum” que ainda não existe. Alexandre Mate contribui com duas dicas poéticas – a comunidade “criada” por João Ubaldo em Viva o Povo Brasileiro! e a obra de Guimarães, A Teceira Margem do Rio. E, com isso, seguimos pensando – que é o que pode restar de melhor em um debate.

Lançamento

No fim do dia, foi lançado, com direito a exibição de vídeo, além dos comes e bebes, o segundo número da revista Arte e Resistência na Rua, que traz apreciações críticas e réplicas dos grupos a respeito das peças apresentadas na Quinta Mostra Lino Rojas de Teatro de Rua.


Programação completa

29/07/2010 – UNESP

9:30 as 13:00: Relatos de viajantes por uma imensa avenida chamada Brasil
Mesa: Núcleo de Pesquisadores de Teatro de Rua do Brasil
Mediação: MTR/SP

15:00 as 18:00: O Teatro de Rua, em ruas interditadas pelos representantes do poder constituído
Grupo de discussão: Grupos de Teatro de Rua
Mediação: MTR/SP

18:00: Exibição de documentários dos grupos

*
30/07/2010 – GALERIA OLIDO

10:00 as 12:30: Procedimentos de trabalho e trocas de experiências.
mesa: Grupos: Cia. do Miolo, Dolores Boca Aberta Mecatrônica de Artes, Núcleo Pavanelli, Trupe Artemanha e Pombas Urbanas
Mediação: Calixto de Inhamus

14:30 as 17:30: Modos de produção e construção coletiva da obra teatral
Mesa: Grupos: Brava Cia., Buraco d’Oráculo, Cia. dos Inventivos, Trupe Olho da Rua e Teatro Popular União e Olho Vivo
Mediação: Ednaldo Freire

20:00: Lançamento da 2ª Edição da Revista “Arte e Resistência na Rua”

*
31/07/2010 – Teatro de Arena

10:00 as 13:00: Apreciação critica da obra teatral apresentada na rua
mesa: Romualdo Bacco e Jussara Trindade
Mediação: Alexandre Mate

'3 comentários para “Fórum de Teatro de Rua”'
  1. Bacco disse:

    Oi.
    Apenas uma pequena consideração sobre a parte do texto publicado :

    “…as razões de luta atuais não são concretas ou não tão concretas quanto as de outros tempos.”

    Quanto relatei sobre as condições políticas ao tempo da criação do TUOV , tentei dizer (talvez não tenha sido suficientemente claro), que em 1966 (após a golpe de 1964, portanto)os lados da “luta” eram facilmente identificavéis, pois havia uma ditadura militar imnplantada e ostensiva, com tanques e cavalaria nas ruas. Nos dias de hoje , acobertados por uma chamada “democracia”, pode passar a sensação de que a “luta” tenha perdido o sentido, o que, de fato, não é verdade, e isso deve ser observado aos menos avisado. A síntese desse meu pensamento está na minha frase, bem anotada no texto: “…os donos do poder são os mesmos”. As razões de luta são as mesmas. A luta é contra a opressão e contra a injustiça social, sejam quais forem as suas máscaras, em qualquer tempo.

    Concordo totalmente com o raciocinio explanado de que essa idéia de ausência de razões de luta parece naturalizada e se não imobiliza as pessoas pelo menos oferece o risco de “desarmar” os espíritos,
    o que é intenção permanente da elites, que não desejam mudanças, não se importando com as desgraças sociais imperantes, sobretudo das periferias em que alguns dos grupos atuam e podem sentir de perto o efeito catastróficos da falta de políticas públicas de inserção e justiça social.

    Valeu.
    Parabéns pelo trabalho.
    Romualdo Bacco

  2. Oi, Bacco, é um prazer ter seu comentário aqui.

    Me parece que você entendeu exatamente o objetivo que me levou a ressaltar isso no texto: desnaturalizar essa idéia de que as razões de luta hoje são menores – uma vez que são as mesmas.

    Claro que não penso que um grupo que faz teatro na periferia de São Paulo, trabalhando pela arte comunitária no que seria seu horário de descanso (já que é obrigado a trabalhar em outras áreas para sobreviver), acredite que não há mais razões concretas de luta. Aliás, vocês as conhecem mais de perto do que eu.

    Mas penso que isso que você escreveu no seu comentário sobre a “luta concreta contra opressão e injustiça social independentemente de suas máscaras” tem que vir à tona sempre que possível.

    Eu inclusive deveria ter levantado a questão lá no Fórum, assim mais pessoas compartilhariam essa reflexão conosco, mas só pensei no risco da abstração da luta quando estava escrevendo.

    De todo modo, muito obrigada por enriquecer o debate. Era isso que eu esperava “ler” de vocês do Tuov sobre esse tema.

    Um abraço,
    Juli =)

  3. Lilyana disse:

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