Abajur Lilás – versão “heavy”

Críticas   |       |    1 de maio de 2007    |    4 comentários

O Mundo não é Cor-de-Rosa

Um pouco após o golpe militar, Plínio Marcos escreveu um texto com metáforas das relações políticas da época. Depois de muitos anos, e com encenações censuradas pelo caminho, Abajur Lilás ganha agora duas remontagens realizadas pelo grupo Tusp.

Uma das versões foi chamada de “light” e, segundo um resumo baseado em release, seria uma montagem mais lírica. A outra versão, a “heavy”, com raízes no realismo.

Com diversidade de cores e música brega, a versão “heavy” mostra um universo de oprimidos e ditadores, em que o mais fraco sempre acaba sendo o mais prejudicado. Todos os personagens tentam sobreviver e conquistar seus objetivos de alguma forma, mesmo que seja à custa do sofrimento dos outros.

A história se passa em um bordel opressivamente lilás. A cama é lilás, a cortina é lilás, a mesinha é lilás, a vitrola é lilás, o disco da vitrola é lilás, o abajur é lilás e o cafetão, que também faz parte do lugar, é lilás. Normalmente reconheceria tudo como roxo mesmo, mas se o título diz, o ambiente era LILÁS.

Dentro de tanto LILÁS, vivem três prostitutas, o cafetão gay, e o capanga deste. Cada personagem tem a sua cor (com exceção do capanga) e seu conflito. A puta mãe de família, com seu figurino branco até nos fios de cabelo (falando em música brega), junta dinheiro para o filho ter uma vida melhor e, assim, evita se meter em encrencas. A puta bêbada, de vermelho, pretende revolucionar o ambiente para deixar de ser oprimida. A puta novata, de preto, joga com os dois lados para se dar bem. O cafetão, LILÁS, batalhou pra formar o bordel, e agora quer viver por meio do esforço dos outros. E o capanga, sem cor, é sádico.

Todas essas figuras não são boas nem más (com exceção do capanga). Elas só estão tentando sobreviver como podem em um ambiente degradado, que normalmente tem pouca importância para a maioria das pessoas. Um universo simplesmente esquecido nas ruas das cidades.

Abajur Lilás é encenada em um espaço intimista para 40 pessoas, antiga sala de ensaios do Tusp, em formato de teatro de arena. Os atores são bons (com nova exceção para o capanga), e a gama de cores ajuda a dar o clima do ambiente e a identificar as características de cada personagem.

As únicas ressalvas são alguns diálogos que passam sucessivamente a mesma mensagem, deixando a peça um pouco cansativa. E uma senhora loira da platéia que ria alto, até em momentos de forte conteúdo dramático, e, em um instante, chegou até a bater palmas sozinha no meio da peça. Sorte de quem não viu a peça naquele dia.

As duas versões estão em cartaz no Tusp em horários diferentes. A redação da Bacante está se organizando para assistir a versão “light”, para ter uma maior reflexão. Mas como somos um pouco desorganizados, quem sabe quando iremos novamente.

3 feridas roxas

'4 comentários para “Abajur Lilás – versão “heavy””'
  1. Fabrício Muriana disse:

    Em Portugal, a tradução de Roxo, texto de Jon Fosse que a Fernanda D’Umbra montou, ficou como Lilás.
    O nome original é Purple.

  2. Anonymous disse:

    Nossa, poucas vezes eu vi um texto tão mal escrito na minha vida… Vocês não tem mais o que dizer além de ficar descrevendo e tachando os elementos cênicos, não? (os atores são bons, com excessão de não sei quem… não sei o que é bom, com excessão de não sei quem… os personagens não são maus… etc.)

    Que porcaria de crítica! não tem um site que preste para isso.

  3. Juli =) disse:

    Então, sabe o “tem” depois de “vocês não” e antes de “mais o que escrever” na primeira linha do comentário anônimo??? Tem acento (chapéu do vovô, sabe?).

    Ai, desculpa gente! Não agüentei. Acho que eu sou muito chata mesmo.

    Mas, mal escrito por mal escrito…

  4. Leca disse:

    Olá, anônimo
    Concordo com você. Com exceção (e não excessão) de alguns blogs, não há realmente nenhum site de teatro que se proponha a escrever críticas de uma maneira que preste. A Bacante não seria diferente, né? Como concordamos, mas não vamos fazer melhor do que o resto, então chegamos a conclusão de que concordamos 50%. É um bom índice, hein!!!

    E temos mais o que dizer sim: assim como não há quem escreva uma crítica realmente du caralho, também não tem pessoas que lêem bem o que está escrito. Uma dica: a analise não começa apenas no final do texto. Tente ler antes o início da resenha.

    Outra dica no uso de termos: um texto pode ter um conteúdo excelente e estar mal escrito. Outros textos também podem não dizer nada, e estarem bem escritos. Analisar um texto também é arte. E no nosso país, onde poucos escrevem e lêem bem, precisamos valorizar qualquer tipo de arte, não é mesmo minha gente?

    Temos mais alguma coisa pra dizer: O bom de escrever em anônimo é que você não precisa assumir as coisas que faz. Ótimo!!! É disso que o povo gosta. Dá a entender que o anônimo é um heterônimo autocrítico que vc mesmo criou.

    Grandes abraços,
    Leca

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