Holocausto
Holocausto (interior)
“Em obediência à semana das críticas muito curtas, todos os textos publicados nesta semana terão apenas 1 parágrafo.”
… acontecendo. Isso mesmo, é como se a peça Holocausto, da Cia dos Outros, já tivesse começado antes de entrarmos no teatro, como se ela simplesmente não parasse. Três figuras (podemos chamá-los de personagens se não há nenhuma trajetória desenhada pra eles?) nos mostram um repertório de gestos e formas, enquanto toca uma música alta, preenchendo a arena pequenina do novíssimo Ópera Bufa (aquele com a fachada mais brega da Roosevelt). De repente, falam. As falas recortadas e intercaladas tentam nos conduzir ao universo de cada um do personagens e à limitação que é estar preso em si. A prisão, no caso, é bem explícita no cenário, que traz uma espécie de caixa delimitada por fita crepe. Sim, fita crepe. Uma prisão tão frágil quanto as nossas prisões cotidianas, que nos impedem de tantas coisas, muitas vezes, até mesmo de nos relacionar com o outro. O outro. A interação entre os atores é mínima e fica claro ali que uma das dificuldades mais relevantes – comum a todas as figuras em cena – é a relação com o outro. Narrada ou simbolizada com interações violentas, a convivência com o outro paira entre a não-existência e a necessidade. Limites. Quedas, muitas quedas. Saltar cadeiras – obstáculos enormes – e não chegar a lugar nenhum. Os textos não nos narram uma história linear, não nos dão fatos, o que nos oferecem é um olhar para o mundo – um mundo individualista, limitado, doente, uma espécie de caos. E, se você pensa que depois disso tudo é só bater palmas e ir embora, deixando lá todas as sensações… ups, dessa vez não. Não há salva de palmas, a peça continua enquanto você continuar. Luzes apontam para a platéia: é você, público, quem escolhe. E, se a peça não começa nem termina, a resenha, da mesma forma,
4 mil maneiras diferentes de cair no chão fazendo muito barulho.
um grande começo para a Cia. dos Outros. E por esse trabalho, vê-se que o futuro é promissor… espero ansiosamente pelos próximos trabalhos.