Resumão do segundo dia (condensado)
Daqui a pouco, vou-me embora de Porto Alegre. Não deu nem pra treinar o sotaque de “bahs” e “tches”. Vou, pra voltar várias vezes, se minha conta bancária permitir.
Hoje foi dia de ver dois espetáculos argentinos e dois brasileiros. O resultado? 2 X 1 pros hermanos. Dentro do POA em Cena, pelo terceiro ano consecutivo acontece o Buenos Aires Teatro em Porto Alegre, que reuniu este ano quatro montagens, as quais têm em comum a simplicidade e, na média, ótimos resultados. São elas:
Teatro para pájaros (de Daniel Veronese)
Crave (de Sarah Kane)
Espía una mujer que se mata (adaptação de Daniel Veronese para o texto de Tchekov, que pude conferir duas vezes)
e Comunidad (de Carolina Adamovsky, que também assisti hoje)
Voltando ao dia de hoje (que no caso já é ontem), assisti novamente quatro peças. Pelo menos dessa vez foram só três inéditas. Às seis da tarde, na Casa de Cultura Mário Quintana, assisti As Lágrimas Amargas de Petra Von Kant, montagem aqui do Rio Grande do Sul, com texto de Rainer Werner Fassbinder. Esse espetáculo ficou um pouco perdido no meio de tudo que vimos por aqui. Há uma direção tradicional, uma crença exacerbada no texto, um tempo de diálogos muito “novela da globo” e o resultado fica bem comprometido. Fizesse temporada em São Paulo, caberia muito bem no palco menor do Cultura Artística ou no Renaissance, tanto pela dramaturgia, quanto pela atuação. Enfim, uma barriga.
A segunda peça havia de ser uma escolha: Ou um texto de Samir Yazbek, de nome O Invisível, que deve (espero) entrar em cartaz em São Paulo, ou assistir novamente Espía Una Mujer Que se Mata, que ainda estava zanzando pelo meu corpo, desde o dia anterior. Decidi rever Espía, mas rezando a Dionísio pra ter a chance de ver o Invisível em São Paulo. Novamente digo: sobre Espía, só falo na resenha, que entra no ar na terça.
De lá, fomos eu e Maurício para o Teatro de Câmara, assistir Comunidad, outra montagem argentina que deu vontade de resenhar. Dessa vez era humor, idéias simples, teatro feito de atores e nada mais. Faço assim: pra não ser injusto comigo mesmo, se não conseguir colocar nas resenhas na terça, faço um comentário mais completo no blog durante a semana.
A quarta e última peça que vi no Porto Alegre em Cena, é um texto de Paulo Scott, de nome Crucial Dois Um. Ô coisa mais estranha, no melhor dos sentidos. Acho que preciso me iniciar na dramaturgia do cara. Ele propõe uma ficção futurista, num tempo que as pessoas podem voltar à vida por 21 horas depois de mortas, mediante assinatura de um contrato bem estranho. Pela descrição parece roteiro de Hollywood. né? E é exatamente o que senti na platéia. Novamente a quarta montagem do dia é a mais injustiçada. Preciso rever. Mas reafirmo, se existe uma palavra para essa peça é “estranha”, e estranhamento, sabemos, é tudo de bom.
Finalmente, gauchada, deixo um muito obrigado pela boa recepção, pelo transporte público que funciona, por me ajudarem a parar de beber cerveja, por mostrarem na real como é esse sotaque tri-legal que vocês têm e sobretudo por organizarem um festival com tanta riqueza quanto este Porto Alegre em Cena. Até os próximos.
PS1: Estou na campanha por um ingresso de Les Éphémères em São Paulo. Se você tiver algum parente, amigo, contato, qualquer pessoa que tenha ingressos sobrando e que queira rifar, estamos dando a alma pra conseguir três ingressos pro resto da equipe em São Paulo.
PS2: Se a campanha do PS1 não der certo, estamos aceitando também doações para a campanha “Mande um bacante pra ver Les Éphémères em Porto Alegre”, quando faremos um bate-volta na capital Gaúcha, só pra assistir o espetáculo. Convenhamos, é bem melhor que o criança-esperança.
PS3: Se as campanhas dos dois primeiros PSs não derem certo, estamos procurando banqueiros internacionais para financiar nossa ida até Taiwan, para assistir o supracitado espetáculo. Neste caso ficaremos por lá mesmo, vamos a pé até Pequim e cobrimos as Olimpíadas junto com Washington Del Mar no ano que vem. É nóis cocê uóshito.
oi, posso conseguir um ainda acho…
Me envia um e-mail, que dias vocês vão querer?
Abraço
carlosxarao@gmail.com
Como te disse por e-mail, acho que conseguiremos ver aí. Mas seria mais fácil se fosse aqui em sp.
Mesmo assim valeu por avisar e marquemos uma cerveja nessa terrae.