Mapeamento eternamente em construção – Bate-papo com Santa Estação

Bate-Papos   |       |    3 de novembro de 2009    |    0 comentários

Santa Estação Cia de Teatro – Porto Alegre – RS
Representantes: Ana Carolina Moreno

1. Financiamento: como o grupo financia seus trabalhos?

Nós participamos de um projeto que a gente conseguiu que se transformasse em lei, que é o Projeto Usina das Artes, que é o projeto de ocupação da Usina do Gasômetro, e aí nós temos um espaço que a prefeitura subsidia um valor mínimo – é irrisório, assim – porque a gente tem que fazer algumas programações durante o ano, é uma programação gratuita por mês, temporada, algumas coisinhas assim, então a prefeitura dá um valor que é irrisório, mas que pelo menos a gente consegue fazer a manutenção desse espaço. E aí, depois, a gente se financia através de projetos. Em Porto Alegre tem o Fumproarte, que é um fundo pra montagem de espetáculos, então nos espetáculo geralmente a gente consegue financiamento desse fundo, estamos indo pro segundo espetáculo financiado pelo fundo e agora a gente ganhou o Myriam Muniz, mas o que a gente mais consegue fazer é vender espetáculo, temporada lá não há condições, então é com venda espetáculos mais pro interior do Rio Grande do Sul, tá acontecendo um movimento muito legal de circulação dentro do RS, seja pelo SESC, seja por outras produtoras. Tá acontecendo isso, mas continua-se não podendo viver de teatro ainda.

2. Diálogo com o entorno: como as questões da sua região estão presentes na obra do grupo e, por outro lado, como o grupo está presente nas questões de sua região?

Eu acho que não tem como não estar, a gente acaba falando muito sobre o que acontece em volta da gente. Brincam sobre o nosso grupo que a gente lida com a estética do frio, porque como a gente trabalha com teatro físico e os espetáculos geralmente são todos partiturizados, a brincadeira é que a gente lida com a estética do frio. Mas a gente tem esse espaço na Usina do Gasômetro, onde aos sábados e domingos lota, todas as pessoas, todas as periferias vão pra Usina do Gasômetro pra tomar um chimarrão, ver o pôr-do-sol que é lindo, então a gente acaba lidando… Por exemplo, nós temos uma apresentação gratuita todo mês e aí é bem legal, porque a gente desce, porque apesar do projeto já ter cinco anos, as pessoas ainda não se acostumaram a entrar de verdade na Usina do Gasômetro, elas ainda usam a Usina do Gasômetro como banheiro, porque ela ficou muito tempo parada, então a gente desce já de figurino e tudo mais e vai buscar essas pessoas que talvez nunca assistiram teatro na vida e isso é muito legal. As pessoas estão acostumadas a ficar só vendo o pôr-do-sol, ela não imaginam que elas podem ver o pôr-do-sol e 2 minutos depois podem entrar e assistir o espetáculo. Então isso é muito legal, acho que a gente está tendo uma política de formação de platéia muito legal mesmo. Eu já vi pessoas que foram no espetáculo gratuito indo depois na temporada paga, por exemplo, isso é muito legal, uma formação de platéia bem interessante.

3. Fator agregador: qual o fator agregador/ definidor/ de união do grupo?

Ontem a gente tava discutindo isso no espaço aberto. É tão complicado denominar o que nos une. Sim, tem uma estética parecida, a gente trabalha com teatro físico, já tem que ter um gostar disso que é diferente. Mas, o que nos une talvez seja essa vontade de dizer algo, porque é isso, que eu tava falando ontem, é o nosso espaço, não adianta, a gente não pode ter discurso, porque discurso fica pra político, pra filósofo, lalalala, a nossa forma de dizer é em cima do palco com o corpo, com o movimento, de uma outra forma, então, talvez, seja isso que nos une. Tem um carinho, sim, é mentira se disser que não existe carinho de amizade, de gostar de estar junto, sim, existe, mas eu acho que é isso tem a questão da estética que no meu caso é o teatro físico e essa vontade de dizer alguma coisa e tentar mudar de alguma forma algumas realidades, acho que é mais isso. Claro, óbvio, todo mundo do grupo sonha também em poder um dia viver só disso, mas eu acho que a gente pode caminhar muito e é uma coisa que a gente vem entendendo que é essa questão de que a gente fala que a gente não vive de teatro, mas a gente também não dá o gás suficiente de produção, por exemplo, pra que a gente possa viver disso. Então é uma coisa que a gente vem falando muito e eu acho que a gente pode estar caminhando pra isso, pra tentar ver isso e trabalhar isso de uma forma diferente.

O que você acha?

A Bacante é Creative Commons. Alguns direitos reservados. Movida a Wordpress.