Próximo Ato 2009

Especial   |       |    2 de dezembro de 2009    |    0 comentários

As próximas ações geradas pelo Próximo Ato

Próximo Ato - Plenária - Foto Cia da Foto

O Programa Próximo Ato, parte do projeto Rumos Teatro, do Itaú Cultural, surgiu em 2003 e, desde 2006, trata especificamente das questões dos coletivos teatrais no Brasil, ou seja, das características e demandas de grupos de teatro que têm como base de seu trabalho produções coletivas mais democráticas entre os integrantes e desenvolvem um trabalho contínuo, quase sempre sem características comerciais. Além dos encontros nacionais anuais em São Paulo, também foram realizadas edições regionais que permitiram que a discussão avançasse e chegasse ao encontro nacional mais madura.

O encontro nacional de 2009, que aconteceu de 3 a 7 de novembro, foi ao mesmo tempo o último encontro que o Itaú promoverá e o primeiro que conseguiu reunir de fato pelo menos um representante de cada estados do país e do Distrito Federal – detalhe: bancando as despesas de transporte, hospedagem e alimentação.

A Bacante acompanhou de dentro esse encontro inédito e que carregava consigo as bagagens não só das reuniões nacionais e regionais anteriores do próprio programa, mas também de outras articulações do movimento de teatro de grupo, tais como o Redemoinho, que “rachou” em sua última edição realizada em Salvador.

Próximo Ato - Plenária2 - Fotos Cia da Foto

Um pouco amargurados e muito amadurecidos pelas experiências anteriores, os grupos estabeleceram um espaço de discussão muito potente, com alto nível de consciência política. Claro que plenária que se preze tem que ter alguma enrolação, alguém que fala durante meia hora e não diz nada, alguém que retoma uma discussão velha meia hora depois como se fosse novidade, ou alguém que quer dar 50 passos a frente do que está em pauta, entre muitos outros obstáculos desses que vêm junto com essa tal democracia.

Para a Bacante, olhando de dentro mas ao mesmo tempo de fora, a possibilidade de união de grupos tão diferentes, com demandas tão diversas na maior parte das vezes em função do gigantismo do nosso país foi o que mais impressionou. Sotaques, expressões, rostos diferentes… e não só isso: também jeitos de fazer e de pensar teatro completamente diferentes. E, nesse ponto, a nossa conclusão ao fim da plenária e das discussões é que o objetivo e função primeiros deste movimento que se cria a partir do encontro é a sobrevivência do próprio movimento e do teatro brasileiro em sua diversidade. Não, não havia uma bandeira; não havia um conceito homogêneo de cultura ou dos princípios e das funções públicas do fazer artístico que pudesse gerar um posicionamento político concreto nesse sentido; também não estava em pauta discutir, trocar, questionar opções estéticas. Ainda, no teatro de grupo do Brasil, estamos nos unindo pela sobrevivência. Por enquanto. E está evidente que “só” a união é grande conquista, pois foi preciso passar por muitos obstáculos para efetivá-la.

Assim, os desafios futuros deste movimento que ganhou forma – apesar de estar longe de ser uniforme – são muitos, mas o primeiro deles é, indubitavelmente, viabilizar o próximo encontro, pra que a semente plantada pelo programa do Itaú Cultural continue sendo cultivada. E, principalmente, para mostrar que este movimento não se limita a uma boa idéia isolada promovida e sustentada por um instituto vinculado a um banco, mas que é resultado de demandas e lutas dos próprios grupos e que tem condições de continuidade baseados na vontade desses artistas, tanto os representantes que estavam no encontro, quanto os muitos outros para quem as conclusões e dúvidas devem ser transmitidas.

Como todo encontro, estava programada para o final do Próximo Ato, a divulgação de um documento público marcando as posições do movimento que ali se construiu. Como em todo encontro, não deu pra terminar de redigi-lo no próprio encontro. Mas enquanto esperamos para publicá-lo aqui, podemos tratar de dois assuntos que tiveram mais eco nas discussões – ou que nós escolhemos aleatoriamente, porque nos interessaram.

Custo Amazônico

amazônia

Foto de Victor Soares

Bandeira defendida com paixão e com a experiência de quem viveu muitos anos de exclusão ou, por outro lado, de uma integração que na verdade se concretizou como exploração, o “custo amazônico” é o nome que representa as elevadíssimas despesas necessárias para fazer teatro nos estados e municípios amazônidas. Imagine uma cidade que fica sem estrada a maior parte do ano por alagamento. Ou outra a que só é possível chegar viajando de 6 a 8 horas de barco. É disso que estamos falando, de custos que são maiores do que no restante do Brasil, tanto para produção como para circulação. E, é importante deixar claro, esse não é um problema regional, mas nacional, uma vez que estes custos, além de prejudicar a produção local, também impedem que produções de outros estados circulem pela Amazônia e que públicos de outros estados vejam o que é produzido na Amazônia. Em outras palavras, tais custos impedem ou pelo menos tornam muito mais difícil para o país se conhecer e se comunicar e, portanto, precisam ser considerados em editais e na distribuição de verba pública de maneira geral.

Prêmio Teatro Brasileiro

A mensagem veio no fim da última plenária, mas o recado está dado e era: “vamos divulgar isso!”. O Prêmio Teatro Brasileiro, idéia semelhante à do Programa de Fomento ao Teatro da Cidade de São Paulo, mas ampliada para o âmbito nacional com algumas particularidades, está em tramitação no Senado, após aprovação na Câmara dos Deputados, e é importante que haja pressão popular para que seja sancionado pelo presidente ainda este ano. Bem, estas eram as esperanças no início de novembro…

Cabe explicar aqui, pra quem não está acompanhado o fuá todo, que o Prêmio Teatro Brasileiro faz parte do Profic (Programa Nacional de Fomento e Incentivo à Cultura), que foi elaborado a partir de consulta pública que terminou em maio deste ano. O Profic é composto pelo Fundo de Cultura, Fundo de Incentivo, Fundo Bancário (os três destinados a programas e ações de governo) e o Fundo de Programas (destinado a programas de Estado, tais como o Prêmio Teatro Brasileiro) e foi elaborado para substituir o Pronac e, com ele, a tão-(mau)-falada Lei Rouanet.

Sobre isso, vale acompanhar o site do Ministério da Cultura, começando por esta entrevista do Secretário de Políticas Culturais que contextualiza as ações de governo, tratando de um projeto ainda mais amplo, o PNC (Plano Nacional de Cultura), e explicando que o Fundo Nacional de Cultura, reformulado pelo Profic, é fundamental para viabilizar o PNC.

Ainda sobre o Próximo-Último Ato

Os desdobramentos finais do último encontro podem ser acompanhados no blog oficial, que recentemente divulgou as últimas imagens das palestras e deve publicar também o prometido documento oficial.

O programa Próximo Ato foi realizado pelo instituto com vistas a pensar mais profundamente um programa destinado ao teatro. Terminado o ciclo e após inúmeras discussões com a classe teatral, a gerente do Núcleo de Artes Cênicas do Itaú Cultural, Sônia Sobral, concebeu o edital Rumos Teatro, que contemplará projetos de interação artística entre grupos com fins de pesquisa, dando continuidade à promoção e viabilização de encontros, agora a partir do contato espontâneo entre dois ou mais grupos que queiram realizar um projeto de pesquisa juntos.

Abaixo, os links para os posts da cobertura diária feita ao longo da programação

Primeiro dia – Começando a terminar

Primeiro dia – Reverberações

Primeiro dia – “O ambiente é uma construção social…”

Segundo dia

Segundo e terceiro dias – A experiência com Eleonora Fabião

Terceiro dia – A performance noturna

Dois últimos dias – Livres de teatro

Acabou, mas continua

Presença de Lehmann

O teórico alemão, Hans Thies Lehmann, autor do livro já clássico Teatro Pós-Dramático (que a Iná Camargo destrói nesse vídeo aqui), foi, certamente, a presença mais celebrada do Próximo Ato 2009. Além de visitar a sede do Latão e jantar no Sujinho 50% das noites em que esteve em São Paulo, Lehmann participou de três momentos: o lançamento no Brasil do livro Escritura Política no Texto Teatral – pela pechincha de 80 reais, seguido de palestra;  uma conversa com o francês Nicolas Bourriaud restrita aos participantes do Próximo Ato; e um debate acalorado com o filósofo brasileiro Paulo Arantes – acalorado do lado do Paulo, que o Lehmann é alemão e nem ficou vermelho.

encontro-paulo-arantes-e-hans-thies-lehmann1

Bem, sabendo que todos ficariam ansiosos para ouvir o maior ídolo de Eduard Peter e que nem todo mundo conseguiu ir ao Itau Cultural, a Bacante registrou o áudio do ambiente e o que saía do equipamento de tradução e você poderá ouvir Lehmann na voz do espirituoso tradutor do encontro e Paulo Arantes, na voz de Paulo Arantes mesmo.

Próximo Ato - Paulo Arantes e Lehmann - Foto Mauricio Alcantara

Clique aqui para ouvir a palestra de Hans Thies Lehmann realizada no dia 6/11/2009

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Clique aqui para ouvir o debate entre Paulo Arantes e Hans Thies Lehmann que aconteceu no dia 7/11/2009

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Mapeamento capenga e sem cortes com grupos de teatro de todo o país

MapaBrasil

Uma das propostas da Bacante para esta cobertura foi a realização de uma espécie de mapeamento do que pensam e de como atuam os grupos teatrais no Brasil, aproveitando a presença de dois representantes de cada estado do país e do distrito federal.

Clique aqui para entender os procedimentos e conhecer o resultado deste mapeamento – eternamente em construção.

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