La Divina
La Divina é um espetáculo difícil de se definir. Não é exatamente teatro, apesar de possuir uma construção de personagem fabulosa. Não é exatamente dança, apesar de trazer coreografia e um trabalho corporal hipnotizantes. Está longe de ser circo, apesar das acrobacias e até mesmo pirofagia. Ao mesmo tempo, é muito mais teatro e dança do que performance.
O ator gaúcho radicado na França Biño Sautzvy constrói, através de fragmentos e sentimentos, a travesti Divine, inspirada da obra de Gean Genet. Uma mulher mais masculina do que as demais mulheres, e um homem definitivamente mais feminino do que os outros homens, vemos em cena uma criatura mutante e melancólica em busca de uma felicidade e auto-realização (ou até mesmo auto-afirmação) que parece não encontrar nunca.
Destaque para as duas macabras personagens sem rosto com quem contracena, e para a iluminação, que juntamente com o trabalho corporal do protagonista, é o melhor do espetáculo.
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