Shakespeare for Kids
O único contato que eu tive com teatro infantil foi, olha só, quando eu era o público-alvo destas produções, há pouco tempo. Desde então, nunca mais botei os pés em um teatro para ver algo para crianças. Eu diria que é porque não tem nenhum fedelho para levar, mas é uma desculpa esfarrapada, uma vez que sou um ávido consumidor de desenhos animados, doces e filmes da Xuxa.
Hoje decidi assistir uma peça infantil gaúcha aqui no Em Cena. A escolha foi simplesmente pelo horário: começava às 4 da tarde e não comprometia o horário de nenhum outro espetáculo. O programa dizia que era o resultado de um projeto chamado Shakespeare para Crianças. Deve ser tipo aquela coleção musical com Mozart, Beethoven e Ramones for babies.
A verdade é que a escolha por A Tempestade é acertada. Das obras de Shakespeare, é talvez a que melhor ofereça possibilidades de diálogo com o universo infantil, por tratar de um universo fantástico repleto de magia e mistério. E a adaptação cumpre muito bem aquilo que promete: parece que Shakespeare realmente escreveu a peça para os pimpolhos. A encenação conversa muito bem com o público infantil cada vez mais exigente, e os adultos também se deliciam. A incorporação de uma linguagem rápida e cinematográfica, apesar de questionável por alguns puristas, funciona bem. É Shakespeare com cara de Dreamworks (mais especificamente, com cara de Shrek).
Figurino, cenários, músicas e iluminação são belos e caprichados, mas não chegam necessariamente a inovar em nada. Tudo acontece dentro do velho palco italiano, e isso diminui um pouco o potencial que o universo proposto permite (tenho certeza de que as crianças – e os adultos também – teriam uma grande satisfação de se sentirem DENTRO dessa ilha fantástica). Mas também não será eu o chato que vai sacrificar a peça por isso. No fim das contas, vale demais a pena. Recomendo pra todo mundo que tiver crianças em casa. E pra quem não tiver também.






Que bom que você conseguiu ver a Jezebel em A Tempestade, ela chegou para a minha mesa de hoje e me contou do espetaculo que eu não consegui ver…adoro saber que vocês estão aproveitando!
Beijos,
Deolinda
Fotos bonitas. Parece a cúpula do trovão?
Não, Leca. Pra ser a cúpula do trovão faltava a Tina Turner.
Gostou das fotos? Eu que tirei :0)
we don’t need another hero.
foi inevitável.