Atrás do Trem Fantasma só não vai quem já morreu

Blog   |       |    28 de novembro de 2007    |    0 comentários

_MG_5219

No espaço antes ocupado pela precisão bonitinha do Théâtre du Soleil, agora pode ser visto o contrário: a bagunça operística concebida pelo malucão Christoph Schlingensief sobre a obra de Richard Wagner. Fica em cartaz até domingo lá no SESC Belenzinho, e funciona em esquema de visitação: você fica quanto tempo quiser, faz o trajeto quantas vezes quiser. Em cena, dezenas de atores e cantores líricos atuando, cantando, dançando e berrando no mais absoluto caos cênico: cenários giratórios, projeções, vídeos, pichações em referência a diversas óperas e até mesmo – acreditem – um trilho de trem fantasma. O percurso é relâmpago, mas vale a pena. Na trilha, Wagner se mistura com um sambão – “atrás da verde e rosa só não vai quem já morreu, ôooo…” – nos intervalos, com direito a passista de escola de samba e tudo mais.

Com tamanha bagunça, é impossível tirar uma conclusão que não seja absolutamente pessoal. Para aquela turma que está sedenta pela expressão da moda, o pós-dramático, aquilo é um prato cheio. Difícil de se classificar como teatro, ópera, exposição, show ou o que quer que seja. Para mim, fica mais evidente a deliciosa descontrução (pra não dizer explosão) de uma arte tradicionalmente formal e careta: o assumidamente inacabado (e inacabável) dá o tom e é o que diverte um público que adora a novidade. O mais legal é que esse público não é composto majoritariamente pela classe artística, que quando é maioria, muitas vezes acaba deixando as coisas bem sem sal com suas carinhas blasé. Uma amiga levou até a avó. E a véia gostou.

Mais fotos AQUI.

O que você acha?

A Bacante é Creative Commons. Alguns direitos reservados. Movida a Wordpress.