Lembra
Acabei de sair do espetáculo Lembra, da Cia. Funcart de Teatro, daqui mesmo de Londrina. A peça brinca com uma espécie de metaliguagem com o teatro, utilizando textos famosos (como Esperando Godot, Um Bonde Chamado Desejo e Hamlet) ditos na boca de personagens cotidianos, como mendigos, aspirantes a ator e lixeiros. Brinca tanto com esse teatro dentro do teatro, que um dos personagens no final, explica um pouquinho sobre essa magia dos palcos.
(Toca meu celular. O pessoal que estava vendo Fragments, do Peter Brook, acaba de sair da peça. Pausa para janta)
Alguns dos atores ainda falam seus textos da boca pra fora, sem saborearem o que dizem. As cenas parecem estar cruas e ficam monótonas em dados momentos. Parece que ainda falta trabalhar alguns pontos e trazer mais experimentalismo, ainda apenas esboçado.
Mas a produção tem seus méritos. O primeiro quando os lixeiros brincam de atuar, como se fossem crianças, quando encontram figurinos no lixo. Nesse momento o teatro traz um pouco de vida para aqueles trabalhadores, que conseguem respirar pelo menos por alguns instantes, até voltarem para sua rotina diária. Essa parte é aquele tipo de teatro que tanto os atores quanto a platéia estão se divertindo. E o segundo é quando desconstroem o cenário ao fim do espetáculo.
A peça traz inúmeras referências dramaturgicas, mas ainda falta trabalhar mais outros elementos.
O que você acha?