Mostra Thèâtre du Soleil
Para todos aqueles que ficaram muito frustrados após os ingressos para o espetáculo Les Ephémères , do Thèâtre du Soleil, acabarem em aproximadamente três horas após o início das vendas (isso inclui também boa parte da equipe Bacante), e não conseguirão ver os franceses que vêm para o Brasil pela primeira vez e talvez única, agora podem se consolar com a mostra promovida pelo Cinesesc.
De 12 a 18 de outubro de 07, o Cinesesc apresenta a mostra de filmes do Thèâtre du Soleil, com programação formada por documentários e registros de espetáculos, que dá um panorama da companhia, dirigida por Ariane Mnouchkine. As sessões são grutuitas e é necessário retirar os ingressos com uma hora de antecedência. A seguir, a programação:
Sexta, dia 12
14h – 1789
França, 1974. 118 minutos. Direção : Ariane Mnouchkine. O filme registra o teatro que Ariane fazia no início dos anos 1970, pois foi produzido a partir da filmagem das últimas apresentações do espetáculo de mesmo nome, com a presença do público. Ao mesmo tempo em que a peça se desenrola, os bastidores e os camarins onde os atores se preparam para a cena seguinte são mostrados. A peça tem início com a história da Revolução Francesa do ponto de vista da aristocracia. No entanto, ela é interrompida e a mesma história passa a ser contada sob uma outra perspectiva, a do povo.
16h30 – La Nuit Miraculeuse
França, 1989. 138 minutos. Direção: Ariane Mnouchkine. (Filme encomendado pela Assmbléia Nacional na ocasião das comemorações do bicentenário da Declaração dos Direitos do Homem.) Época de Natal, inverno em Paris. Um garoto, em meio ao frio, tenta vender alguns bonecos aos passantes, sem sucesso. Perto dali, um grupo de artistas discute o destino para alguns bonecos, utilizados numa exposição da Assembléia Nacional da França, por ocasião do bicentenário da Revolução Francesa (1789-1989), os quais reproduzem os principais personagens das jornadas revolucionárias. Os bonecos ganham vida e passam a “reencenar” as calorosas discussões ocorridas durante as jornadas, o que acaba por atrair cada vez mais pessoas, por diferentes razões.
19h – Molière (parte I)
França, 1976-77. Parte I: 116 minutos e parte II: 129 mintuos. Direção: Ariane Mnouchkine. Biografia de Molière, desde a sua infância até o seu sucesso na corte francesa do século XVII. Paralelamente à história do autor, assiste-se a um grande afresco sobre a sociedade francesa do século XVII e as péssimas condições de vida do povo em Paris. O século XVII é retratado como um século de conflitos: católicos / protestantes, libertários / reacionários, povo / nobreza, tolerância / intolerância, capital / província. Em meio a estes embates, o teatro surge como uma voz libertária e esclarecida.
21h20 – Molière (parte II)
Sábado, dia 13
15h – La Ville Parjure
França, 1999. 76 minutos. Direção: Catherine Vilpoux. Num cemitério, uma mãe, cujos dois filhos estão ali enterrados, lamenta a sua infelicidade e amaldiçoa os médicos. Aos poucos, percebe-se que o cemitério é uma metáfora da exclusão social, pois ali estão abrigados os sem-tetos, os desempregados, os refugiados… Advogados tentam subornar a mãe, oferecendo-lhe uma “boa recompensa” para que fique calada. Seus filhos morreram em decorrência de transfusões de sangue contaminado. Este fato, ocorrido na França em 1992-93, ficou conhecido como o “caso do sangue contaminado”, com intensa repercussão na mídia – material que é amplamente utilizado no filme.
16h30 – Tambours Sur la Digue
França, 2002. 135 minutos. Direção: Ariane Mnouchkhine.
Numa China antiga e lendária, um monarca tem de tomar uma difícil decisão sobre a abertura de um dique que inundará boa parte do seu reino. Tal gesto é necessário pela proximidade de um grande temporal, o maior dos últimos dez anos, que ameaça inundar toda a região. A violência da natureza, ameaçando os homens, passa a revelar a violência humana. Assim, surgem à tona os planos maquiavélicos do sobrinho do rei que agira, até então, nos bastidores, explorando a boa fé do tio, para aumentar o seu poder e riqueza e corrompendo os homens. Nesta hora de difícil decisão, o rei está só no poder, com seus aliados caindo um a um.
19h10 – Le Dernier Caravansérail (Odyssèes) (parte I)
França, 2006. Parte I: La Fleuve cruel, 138 minutos e parte II: Origines et destins, 132 minutos. Direção: Ariane Mnouchkine.
Filme sobre a trajetória daqueles que são chamados de refugiados, clandestinos ou migrantes e que, entre eles, se chamam mais nobremente de viajantes. Série de histórias, de parcelas de vidas de homens e de mulheres, de odisséias traçadas pelo tempo histórico ou banal, mas sempre trágico.
21h30 – Le Dernier Caravansérail (Odyssèes) (parte II)
Domingo, dia 14
14h30 – Molière (parte I)
16h50 – Molière (parte II)
19h10 – 1789
21h30 – La Ville ParjureSegunda, dia 15
14h30 – Le Dernier Caravansérail (Odyssèes) (parte I)
17h – Le Dernier Caravansérail (Odyssèes) (parte II)
19h30 – Au Soleil Même La Nuit (parte I)França, 1996-97. Parte I: 94 minutos e parte II: 80 minutos. Direção: Eric Darmon e Catherine Vilpoux. Filme que trata dos preparativos, dos ensaios e da estréia da peça Tartuffe, de Molière, em 1995, no Théâtre de Soleil, em Paris. Aqui vemos os extenuantes ensaios com os atores, os bastidores, e o trabalho da equipe de apoio na construção dos cenários e vestuários. O trabalho não-teatral também é revelado: as negociações para uma participação no Festival de teatro de Avignon, França, as dificuldades financeiras, os salários dos atores e Ariane recolhendo os tickets na entrada do teatro e recepcionando o público.
21h30 – Au Soleil Même La Nuit (parte II)
Terça, dia 16
15h – Du Thèâtre au Cinema
França, 2003. 23 minutos. Direção: Ariane Mnouchkine. Interessante filme sobre as diferenças do teatro e do cinema. Algumas cenas foram filmadas ao vivo, com presença de público, outras foram encenadas (e representadas) especialmente para a câmera, sem o público. Ao longo deste filme, vemos as reflexões da Ariane sobre as diferenças nas respectivas linguagens, a ponto de um milagre no teatro, tornar-se um desastre no cinema. Cada linguagem apresenta suas vantagens e também desvantagens. Assim, ao se filmar uma peça, requer-se uma “tradução” da matéria prima para a outra linguagem. É nesse sentido que a autora teve de alterar várias cenas da peça para que ganhassem sentido e efeito estético no cinema.
15h – e Entrevista de Ariane Mnouchkine com François Duplat, filmada por Bernard Zitzermann
França, 2004. 45 minutos. Entrevista de Ariane Mnouchkine sobre Molière . A diretora fala sobre as motivações que a levaram a realizar o filme, sobre a produção, a concepção do cenário e dos figurinos, a música, a montagem e também sobre as críticas e a recepção do público, além de ressaltar a maneira que foi feita a distribuição e exibição.
16h30 – Un Soleil à Kaboul
França, 2005. 75 minutos. Direção: Duccio Bellugi Vannuccini, Sergio Canto Sabido e Philippe Chevalier. Belíssimo filme que provoca reflexões sobre o papel do teatro e do artista em geral na sociedade contemporânea. Neste caso, na sociedade afegã, entrecortada pela guerra civil, pela intoler
por que talvez última?