Novas Diretrizes em Tempos de Paz
Quase a mesma peça
Fotos: Alessandro Carvalho
Já que todo mundo que fala sobre Novas Diretrizes em Tempos de Paz não consegue deixar de falar dos prêmios que ele ganhou (APCA e Shell), nem da importância do dramaturgo na recente produção brasileira, nem das relações humanas e metalinguísticas que o texto propõe, é tempo de fazer o papel da tia velha solteirona malamada e lembrar do termo apropriação. Bosco Brasil chegou a dizer que as reações das platéias são muito parecidas em todas as montagens, e atribui essa coincidência a uma possível universalidade do texto.
Continuo achando que não existe texto universal. Existem textos que permitem releituras em qualquer sociedade, mas pra isso tem que se saber ler. Parece soberba achar que o teatro é a linguagem passível de ser apreendida por qualquer ser humano. Mesmo assim, se concordasse que o texto pode ser universal, aí surgiria a obrigação da apropriação, seja na tradução ou na recriação (ou ambas juntas). Aqui está o ponto. Vi duas montagens do mesmo texto de Bosco Brasil. Ambas tinham atores competentes e quase nenhuma apropriação do texto. Ou seja, o tempo proposto no texto foi profundamente respeitado; a atmosfera da alfândega não foi recriada; as profissões dos personagens continuam sendo ex-ator/agricultor e ex-torturador/fiscal da aduana; a menção ao rádio não migra de meio. Enfim, resta-nos comparar quem fez “mais direitinho” o texto, que ator “atuou melhor”. Essas coisas que o povo das antigas gosta de fazer.
Definitivamente o autor consegue criar personagens contraditórios, numa história de lirismo delicado, apesar da atmosfera hostil. Não duvido que Bosco Brasil mereceu todos os prêmios que recebeu. Mas saí dessa segunda apresentação esperando quem fará a próxima montagem do mesmo texto, pois essa leitura não acrescentou nem retirou nada do que tinha visto na montagem com Tony Ramos e Dan Stulbach – montagem essa que já se apoiava sem medo no texto ipisis litteris.
Faço uma proposta. Comprei a versão bilíngue (francês-português) da dramaturgia de Novas Diretrizes em Tempos de Paz. Vamos marcar um dia pra juntar dramaturgos, poetas e sacoleiros do Paraguai e fazer uma leitura do que sobrar das cinzas dessa edição, tensionar na procura de algo distinto. O que estiver incompleto, nós juntamos com fragmentos de textos da Zíbia Gasparetto. Experimentar mesmo, sabe? Descobrir que gosto vai ter.
2,5 trejeitos iguais em uma e outra montagem.


Eu gostei muito da peça foi bem interpretada!!!!
achei que foi bom.Porem,faltou conteudo no site como amalise e caracteristicas dos principais persomagens.