FIT 2009 РInst̢ncias da Subjetividade

Blog   |       |    20 de julho de 2009    |    4 comentários

Este ano, o FIT São José do Rio Preto desenvolveu um conceito bem… hum… sujetivo. Há! Não dava pra escapar dessa piadinha. Ainda mais que o jornalzinho do FIT este ano se chama Subjetivo. Contradições do jornalismo…

E como tudo que é subjetivo, todo mundo tá tentando definir. Quer conhecer algumas tentativas?

1. “A subjetividade permite agregar múltiplos conceitos, por entre as instâncias das ciências, da política, da psicologia e das artes” – Danilo Santos de Miranda, Diretor Regional do SESC São Paulo.

2. “O espectador se torna, na arte e no teatro contemporâneos, um agente decisivo na efetivação da linguagem. Não se espera que sofra passivo um efeito, mas que formule com sua leitura o sentido da obra, e construa uma interpretação a partir dessa fruição subjetiva. Ao mesmo tempo, no plano dos criadores, se são cada vez mais abertos os processos, no sentido de se reformularem constantemente os procedimentos construtivos, a dimensão colaborativa aparece como uma constante, em que se combinam pressupostos coletivos e pulsões individuais em prol de uma resultante friccionada pelas diversas visões em jogo. Nesse contexto, a subjetividade, mais do que uma instância negativa a ser combatida por um ideal abstrato de coletividade, ou uma impossibilidade teórica diante da crise histórica do sujeito, pode ser pensada e examinada a fundo como sede inexorável das propostas criativas e destino último das criações. Investigar como a produção e a recepção se harmonizam criativamente na subjetividade, por meio de projetos que se constituem a partir de radicalizações subjetivas e se concretizam na solidão das leituras individuais, é avançar na compreensão do fenômeno teatral contemporâneo. Processos criativos coletivos se assumem como espaços de diferenças e de convivência intersubjetiva, e geram espetáculos e ações que fazem do intercâmbio das percepções individuais a sua matéria, e que tem nas recepções peculiares dos espectadores a sua razão de ser. A produção e a recepção como momentos necessários de um mesmo jogo, em que os espectadores se tornam agentes criativos e os artistas leitores críticos” – daqui

3. “Os artistas deixam de pensar exclusivamente no coletivo e concentram-se também nas inúmeras percepções da plateia para a criação de seus trabalhos. A recepção do público é que vai definir a obra”, Jorge Vermelho, Diretor Geral do FIT.

4. “O presidente do FIT e Secretário de Cultura de Rio Preto, Deodoro Moreira, define a subjetividade como um espaço íntimo do indivíduo (mundo interno) com o qual ele se relaciona com o mundo externo” – Subjetivo (N1) de quinta-feira, 16 de julho de 2009.

5. “É aquilo que eu entendo, e que ninguém mais poderia” – Isabela Perinotto, secretária (In Subjetivo – N1)

6. “Subjetivo é o meu ponto de vista sem influências externas” – Cristiano Simão, universitário (In Subjetivo – N1)

7. “Ao eleger a subjetividade como tema deste ano, o Festival Internacional de Teatro de São José do Rio Preto propõe discutir uma das mais interessantes facetas da contemporaneidade, que é a participação do público no próprio sentido e construção da obra de arte” – Catálogo do FIT São José do Rio Preto 2009.

Tomando por base a idéia predominante da valorização das reações do público, colhemos informalmente algumas destas reações nas apresentações deste fim de semana (Valeu, Liz):

“Certeza. [pausa] LSD!” – na peça Crónica de José Agarrotado, não sei em que momento, mas valeria pra qualquer um.

“Pai, o que é Pelotas?” – na peça Miséria, servidor de dois estancieiros, depois de uma entre muitas piadas homofóbicas.

“Tô passada!” – na peça Arcane, depois que nenhum dos dois franceses cai da bolotona de aço.

O degrau [na platéia, entre uma fileira e outra] tinha que ser um pouquinho mais alto” – na peça A Margem.

“Casinha!” – uma criança, na peça Zero, repetindo a fala do ator.

Esse povo fica assistindo peça chilena e argentina e vem pra cá. Vai todo mundo pegar gripe suína” – na peça A Margem.

'4 comentários para “FIT 2009 – Instâncias da Subjetividade”'
  1. Paulo disse:

    é muito subjetivo definir subjetividade …

  2. Cristina Froes disse:

    Minha monografia é sobre SUBJETIVIDADE, alguém aí tem material teórico para me indicar?

  3. Revista Bacante disse:

    Claro, Cristina. O Jornal Subjetivo, do FIT 2009, é leitura obrigatória. Foco na parte de leituras críticas.

    bjo,
    Juli =)

  4. […] que as ditas imagens tenham força para mobilizar qualquer ação, até porque isso é subjetivo (aeeeeeeeeeee. Usando o conceito do festival), mas posso dizer que são radicalizadas e conduzidas à frágil e potente fronteira entre trágico […]

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