Overdose de teatro num domingo à noite

Blog   |       |    17 de setembro de 2007    |    0 comentários

Toda Nudez Será Castigada


A única peça que eu já havia visto antes, em São Paulo, e que eu fiz questão absoluta de rever, ainda que tivesse que sair antes dos últimos quinze minutos (o que de fato aconteceu). Esta montagem caprichadíssima do grupo Armazém, do Rio de Janeiro, constrói o universo das histórias de Nelson Rodrigues sem fazer concessões a sensos comuns e a naturalismos preguiçosos. A história todos já conhecem, é a de Herculano, um viúvo que faz um juramento de castidade a seu filho que tem repulsa a sexo, e o quebra com a prostituta Geni. Destaque para a construção do ambiente do rendez-vous que literalmente invade o palco, para as maravilhosas tias megeras, para a iluminação e trilha sonora caprichadíssimas e a cenografia de dar tontura só de imaginar os atores rodopiando nas portas que os trazem para a cena e os levam de volta. A minha única ressalva técnica é para o “svoooosh” que ouvimos a cada abertura de portas, depois de 5 minutos de espetáculo já estamos cheios.

Foi apresentado no Teatro São Pedro, um daqueles teatros feitos em mil oitocentos e qualquer coisa, cheios de pompas, lustres, cadeiras de veludo, frescos e afrescos. Belo edifício, que apesar de sua grandiosidade, não chega a ser a aberração arquitetônica de alguns teatros em São Paulo, por exemplo, em que a preocupação com a grandiosidade é maior do que com a distância entre a última fileira e o palco. Mas vale salientar que no São Pedro há pontos cegos, ou ao menos pontos caolhos (e eu me sentei em um deles). Enfim, pena que não pude ficar pra assistir à reação da platéia para a revelação do ladrão boliviano… (Foto: Léo Bittencourt)

Espía Una Mujer Que Se Mata

Sabe Teatro para Pájaros, que eu comentei dias atrás? Então, essa peça é do mesmo diretor, o Daniel Veronese. E a estrutura é exatamente a mesma: uma diagonal de um cômodo de uma casa, com duas portas nas extremidades do cenário, uma que vem da rua, outra vai lá pra dentro. Sem firulas, sem frescuras, feito pra ser funcional (inclusive, uma peça funcionaria perfeitamente no cenário da outra sem prejuízo, de tão igual que é a estrutura). A iluminação é branca e constante, como no outro espetáculo. A linguagem adotada é a mesma: o naturalismo de quem está em casa batendo um papo com a família. Então qual a diferença para as duas? O texto, que aqui é uma adaptação de Tio Vânia, de Tchekhov; e o elenco, que aqui é ainda melhor do que o anterior. Enquanto lá a montagem se lambuzava de metalinguagem, aqui o foco está nos conflitos e tensões da família. O Fabrício deve escrever uma crítica mais aprofundada, que vai ao ar ainda hoje. É a Bacante falando bem de peça naturalista, minha gente! (Foto: Maurício Alcântara)

Comunidad


Seis homens, com terno e gravata, alinhados enquanto a platéia entra. Ao início do espetáculo, começam diálogos (ininteligíveis) como se estivessem falando baixo em um elevador ou algo assim. Uns concordam, outros discordam, outros concordam pra não perder a amizade. Depois discutem, caem na porrada, se reconciliam, riem, cantam, fazem bolhas de sabão. O espetáculo, que pra mim ganhou o título de “divertidinho do festival”, explora de forma leve e muito bem humorada a relação do indivíduo com a sociedade, e da sociedade com o indivíduo. E acreditem, é uma criação sobre um conto de Kafka. Bacaninha. Crítica mais completa (se é que existe crítica completa na Bacante) logo mais, não mudem de canal.

Crucial Dois Um


Uma peça esquisita de ficção científica. Tinha até gente boiando num tanque com água, minha gente! Hoje à noite falo um pouco mais sobre este espetáculo. (Foto: Bruno Goulart Barreto)

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