Palavras obscenas
Saiu a nova edição da revista Obscena, lá de Portugal (confesso que invejo o nome desta revista, é fantástico). Ainda não li inteira, mas recomendo em específico a leitura de um ensaio que está nas páginas finais, que fala sobre a falência do conceito tradicional de encenação (em detrimento do surgimento de uma nova encenação que muito se aproxima do conceito de performance) e o quanto isso tudo impacta com relação à crítica. Basicamente com a incorporação de novas linguagens, formatos e possibilidades, a encenação deixou de ser simplesmente o “dar vida a um texto”. O fazer teatral passa a ser uma teia cada vez mais complexa de expressões, significados e simbologias.
A velocidade com que as coisas acontecem nos palcos também impacta diretamente no diálogo que isso gera com a mídia: às vezes, esperar a próxima edição torna uma análise velha. Além disso, o crítico que não acompanha estes novos movimentos estéticos e dramáticos tem tido cada vez mais dificuldades de se acompanhar o que acontece porque torna-se cada vez mais impossível de “decupar” o espetáculo. As análises não conseguem mais ser segmentadas por assuntos ou pontos-chave, tampouco fechadas na própria obra.
E com a multiplicidade de possibilidades que o teatro tem criado, a provocação final do ensaio (originalmente apresentado no 50 Congresso Extraordinário da Associação Internacional de Críticos de Teatro, Seul, Coreia do Sul, há um ano) é trazendo novas tarefas para a crítica, muitas delas indo além de tabus e formalismos que até então eram regra, como por exemplo assumir descaradamente opiniões e julgamentos pessoais sobre a obra e/ou artistas, desde que explicitando estas opiniões e permitindo ao leitor a contestação ou desconstrução deste argumento, e até mesmo assumindo a liberdade de falar sobre aquilo que não lhe diz respeito, emitindo opiniões legítimas sobre aquilo que lhe ainda é estranho, sem deixar-se influenciar por verdades, convenções e fundamentalismos.
Muito interessante, recomendo bastante a leitura, do artigo e da revista.
O site da revista é .com, não.com.br.
Valeu, Elder! Já corrigi.
dayanegostosinha19@hotmail.com.br