Segundo dia em Porto Alegre

Blog   |       |    14 de setembro de 2007    |    0 comentários

Hoje foi dia de sair por aí batendo perna, conhecendo a cidade. Vi várias pessoas com roupas de época, e pensei serem participantes do festival, mas não. E já tô sabendo que dia 20 tem desfile da revolução farroupilha, pelo que o taxista me falou. Não entendi ainda o que acontece nessa cidade, é meio maluca.

Por enquanto, vou fazer comentários rápidos sobre os dois espetáculos que assisti. Depois, se houver tempo e se eu achar que cabe, escrevo uma crítica mais detalhada. Ou não. As duas peças bem que merecem.

Angu de Sangue (Pernambuco)
Uma das coisas bacanas dos festivais é poder ver o que é que é produzido fora do eixo rio-sampa. Fora algumas iniciativas do SESC, é difícil de se conhecer o que rola nos demais estados. Angu de Sangue, baseado no livro homônimo do Marcelino Freire, nos prova que existe sim coisas bacanas sendo feitas lá em cima. O espetáculo, fragmentado em algumas esquetes – em sua maioria monólogos – tem várias irregularidades, que vão desde a iluminação (que é bastante precária em algumas cenas e apenas razoáveis em outras), utilização de elementos (ótimas idéias de vídeo, por exemplo, que poderiam ter mais força) e o ponto que o Valmir tem comentado e que eu nunca havia pensado, que é a inconsistência estrutural da maioria dos monólogos que vemos em cartaz por aí. Em contraponto, vemos em cena um elenco primoroso e uma notável busca por uma visceralidade na linguagem. Várias lacunas e vários pontos altos, vale a pena conferir, quem tiver a oportunidade.

Teatro para Pájaros (Argentina)
O primeiro ponto alto do festival, na minha opinião. Um espetáculo textocêntrico, mas que traz uma encenação inteligente e ágil que quase não nos deixa perceber a verborragia que acontece do começo ao fim. Quer dizer, quem não tem o espanhol tão afiado percebe um pouco mais, sobretudo pela falta de legendas. Em cena, seis atores discutem sobre uma peça de teatro, embaralhando acontecimentos da ficção e da realidade (metalinguagem, de novo ela). Vale muitíssimo a pena pelo timing perfeito de todo o elenco, pelo texto muito bem sacado (que mistura não somente a dramaturgia e a dramaturgia-dentro-da-dramaturgia, mas também brinca bastante com a linearidade do tempo), e pela direção de Daniel Veronese, que também assina a dramaturgia e a cenografia. Não só recomendo, como estou ainda mais curioso para ver Espia Una Mujer que Se Mata, do mesmo diretor.

As fotos eu posto pela manhã.

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