Cocoonings

Críticas   |       |    10 de dezembro de 2007    |    0 comentários

Qual o telefone do disk-crítica?

Em obediência à semana das críticas muito curtas, todos os textos publicados nesta semana terão apenas 1 parágrafo.

Fotos: Edson Kumasaka

Uma peça do Cemitério de Automóveis ajuda bastante na hora de fazer uma crítica de um parágrafo, porque não precisa descrever o ambiente: todo mundo sabe que sempre rola apenas alguns móveis como cenário, personagens deslocados e realismo minimalista. Em Cocoonings são contadas duas histórias: uma de dois gordos que dividem um apartamento e um deles decide deixar a vida sedentária; outra com dois homens que evitam a todo custo sair do apê que dividem – e lá recebem duas garotas de programa que chamaram pelo “disk-puta”. Longe de trazer questões existenciais como em O que restou do Sagrado, Homens, Santos e Desertores ou Uma Pilha de Pratos na Cozinha, esta montagem traz dois típicos textos despretensiosos de Mário Bortolotto. Apesar de o dramaturgo não estar em cena, é muito fácil – como sempre – imaginá-lo interpretando algum dos beberrões que se esparramam no sofá. Os personagens aqui beiram os mesmos estereótipos em que boa parte dos besteiróis comerciais apostam, com uma diferença: a dramaturgia é sagaz, desperta nossa curiosidade a respeito destas pessoas, as coloca em situações pouco prováveis, com diálogos rápidos e nada óbvios. Não dá pra dizer que é uma montagem obrigatória, mas o espetáculo – em uma produção bastante redonda – diverte bastante.

4 passos até a geladeira

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